De repente uma enxurrada de twits e afins me fazem tomar conhecimento de mais uma dessas figurinhas carimbadas do nosso amado legislativo. Jair Bolsonaro já era conhecido do público do CQC e voltou a figurar no programa que mistura jornalismo e humor.
Um passeio pelo Youtube é mais que suficiente pra conhecer as posições ultraconservadoras do Deputado federal pelo PP fluminense. Mas uma visita a seu site também pode ser “instrutiva”. Não é um incauto que deixa escapar barbaridades ocasionais. É alguém de posições sabidamente polêmicas e que sabe usá-las para promover suas causas. Uma espécie de Lobão da política, portanto.
O que eu não paro de me perguntar é sobre o aparente lapso jornalístico do programa, já que, como foi reconhecido ainda no ar, a resposta do deputado a uma pergunta da Preta Gil sobre a hipótese de um filho seu namorar uma pessoa negra dava no mínimo margem à dúvidas sobre o correto entendimento do entrevistado sobre a pergunta.
Talvez a maioria acredite que um Deputado com suas posições seja fruto do mau preparo intelectual dos eleitores, eventualmente induzidos a votar em pessoas desconhecidas. Sugiro o seguinte: Pergunte entre os seus parentes mais velhos, seus vizinhos de rua ou de prédio ou mesmo entre seus amigos quem tem um pai ou avô defensor do autoritarismo, sob qualquer forma. Não são poucos, eu garanto. Se o congresso aspira ser uma representação dos anseios do povo, por que essa parte do povo não estaria representada na forma de ao menos um congressista?
As reclamações gerais sobre as opiniões do Deputado são válidas, claro. Como é válida a defesa dele — alegando que entendeu mal a pergunta — e como são válidas, em geral, suas tentativas de promover suas causas. Tão válidas como as nossas tentativas de defender as nossas. Mas talvez precisemos praticar mais essa coisa de viver num regime de liberdade (ainda que algo limitada) de opinião.
O que não dá pra perdoar nessa história é a produção do programa não apurar uma resposta polêmica que depois é reconhecida no ar como possível erro de interpretação por parte do entrevistado. Não dá pra ter esse tipo de dúvida com algo tão sério. O programa é editado, as perguntas e respostas são gravadas. Ficou um aspecto lamentável de tentativa de linchamento público, humor fácil e deslealdade. O que é uma pena, por que é o tipo de comportamento que eu esperava encontrar entre o que defendem as idéias dele, e não as minhas.
Eu concordo em tudo, sabia?
Inclusive considero que não é a primeira vez que o programa faz esse tipo de “promoção”…
Beijo
Ps. De qualquer maneira não concordo com as afirmações do deputado. Apenas considero que não dá pra crer em tudo que a TV passa como recorte absoluto de uma realidade unilateral.
=)